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Argumentum ad Ignorantiam, o Pai de Todos os Argumentos Pró-Deus


O Argumento da Ignorância possui duas formas básicas: 1) "Não há provas de que A é falso, então A é verdadeiro". 2) "Não há provas de que B é verdadeiro, então B é falso". Entretanto não é difícil perceber que tudo aquilo que não possui provas não deve ser considerado automaticamente falso ou verdadeiro. Dizer que o argumento da ignorância é utilizado somente por teístas e deístas seria injusto, pois a maioria dos ateus não crê em Deus tendo como uma das bases a ausência de provas, porém é mais sensato desacreditar do que acreditar quando não há evidências, principalmente quando isso envolve a vida das pessoas. Grandes injustiças seriam cometidas se, na ausência de provas, os juízes determinassem que todo réu é culpado. O argumento da ignorância não é essencialmente errado, mas induz desavisados a acreditar em falácias. Quando aplicado à defesa da existência de Deus, por exemplo, recebeu três rótulos perniciosos amplamente aceito no meio cristão, os quais são:

O Argumento Teleológico

O Argumento Teleológico e suas vertentes se baseiam na finalidade, ou seja, cada existência tem uma finalidade, pressupondo que só uma consciência daria finalidade às coisas. Mas a Ciência tem demonstrado que processos naturais formaram tudo o que há no Universo sem a exigência de planejamento. O Design Inteligente, que alguns desejam implantar no sistema educacional como opção à teoria da evolução, é baseado no argumento teleológico, pois acredita que todos os complexos órgãos e sistemas que compõem os seres vivos obedecem à vontade de algum projetista. Isso seria equivalente a ensinar em escolas de medicina que a história da cegonha é opção para a gravidez. Estudos paleontológicos revelam que 99,99997% de todas as espécies de seres vivos foram extintas antes mesmo do gênero humano andar sobre a Terra. Teria o designer destas espécies falhado em seus projetos? O fato é que isso confirma um processo natural sem acompanhamento racional explicado por muitos ramos da Ciência como a geologia, paleontologia e bioquímica evolutiva.

O Argumento Ontológico

Santo Anselmo (1034-1109)
autor do argumento ontológico
é aquele que defende a existência de Deus através da ideia de que ele é um ser perfeito e, portanto, tem que existir. Tal argumento segue uma linha de raciocínio contrária à razão, pois parte da definição de Deus chegando à conclusão sem nenhuma referência de cunho empírico, como se a simples imaginação fosse, sozinha, capaz de determinar o que é falso ou verdadeiro. Nossa limitada capacidade cognitiva, para não cometer enganos, precisa da experimentação ou, pelo menos, de previsões matemáticas. Negligenciar as evidências materiais e factuais é o que faz formas de conhecimento diferentes da Ciência se perderem no meio do caminho.

O Argumento Cosmológico

O Argumento Cosmológico se baseia no seguinte raciocínio: "Se tudo tem uma causa anterior, há sucessivas causas que retrocedem a uma Causa Primeira sem causa, a essa Causa Primeira chamamos Deus". Ora, se a regra é "tudo tem uma causa anterior", por que muda-se a regra quando se chega em Deus? Dois pesos, duas medidas? Por que um Universo inconsciente não pode ser a sua própria origem? O argumento cosmológico é uma aplicação de outro mais genérico, o "argumento do deus das lacunas", o qual prevê um deus como resposta para tudo aquilo que ainda não entendemos.

Conclusão

Quaisquer argumentos como o do deus das lacunas, o teleológico, o ontológico, o cosmológico e suas muitas ramificações como, por exemplo, o kalam, o tomista e o design inteligente, são falácias embasadas num único argumento, o Argumentum ad Ignorantiam.

"Idéias não foram feitas para serem ‘respeitadas’. Ideias foram feitas para serem debatidas, questionadas, copiadas, circuladas, disseminadas, combatidas e defendidas, parodiadas e criticadas. De preferência com argumentos sólidos." Idelber Avelar

Ver também: A Origem de Tudo (Então Quem Fez o Universo?) e Universo: Do Simples ao Complexo .

8 comments:

  1. Anna Guerra7:14 AM

    Amigo Alexandre gostei de seu blog, diferente de tudo que havia lido antes, você está de parabens continue assim.

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  2. edgar brunno7:30 AM

    muito bom e revelador seus textos alexandre, tambem sou engenheiro de outra area e me identifiquei com voce mesmo sendo agnostico, eu tenho pouco tempo pra acessar a internet mas pretendo me dedicar a leitura de seu blog pelo menos ler uma postagem por dia.
    Tambem te parabenizo!....

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  3. edgar brunno7:40 AM

    ia esquecendo,ao anônimo, voce deveria saber se expressar de forma digna a sua crença, acredite existem ateus e agnosticos e ceticos porque voces nao souberam se portar dignamente quando tiveram o poder nas maos, agora nem coragem tem de aparecer e ainda acham que pode ficar ofendendo quem nao concorda com os mitos de voces.

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  4. Mizael Montenegro7:16 PM

    Critão não é ser ignorante, é apenas se contentar com o que tem. O que faz um cientista buscar a verdade é a cede pelo conhecimento, é a curiosidade. Aqueles que se acomodam com uma "verdade" baseada apenas na crença de sua existencia são consideradas por mim pessoas ACOMODADAS. Eu conheço varios cristão, catolicos e protestantes, e noto que cada um tem um motivo diferente por acreditar na religiao, uns são simplesmente porque não se interessam pelo assunto, então seguem o caminho que impoe mais medo, outros são sentimentais, e as palavras "bonitas" e piedosas dos pastores/padres o tocam, e eles passam a seguir por pura emoção, e outros são simplesmente influenciaveis, e pessoas que os mesmos respeitam acabam levando eles para o caminho religioso.
    A maioria das pessoas não sabe como o liquidificador de casa funciona, e para que saber? Simplesmente funciona. Nossa existencia não é tao interessante para todos, para aqueles que se questionam, chamos de Ateus, para aqueles que se acomodam, chamamos de RELIGIOSOS. É claro que ser religioso não é sinonimo de burro, porem é claro que é no minimo sinonimo de desinteresse pelo conhecimento sobre a vida.

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  5. Como sempre, perfeito. Seus textos tem o valor da seriedade sem a intenção de enganar, aqui não se reforça mitos e estórias porque é tudo dentro da lógica, sem embaçar.
    "se tudo tem uma causa anterior, há sucessivas causas que retrocedem a uma Causa Primeira sem causa, a essa Causa Primeira chamamos Deus"
    Gostaria de saber por que as regras mudam quando se fala sobre a Primeira Causa, isto é: quando se chega a Deus tudo deve parar sendo que o óbvio seria continuar. Se ele é verdadeiro não deveria deixar margens para dúvidas. E antes de Deus?

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    1. Cara Professora,
      Deus e o mundo estão em 2 categorias diferentes. O mundo precisa de uma causa é dependente, contingente, finito possui seres vivos e astros surgidos de um começo. Mas Deus está fora de nosso universo tangível/físico inserindo-se no plano metafísico/transcendental. Ele é Necessário a si mesmo, Incausado, Independente, Infinito, Ilimitado, Eterno, Auto-Existente. E fora do escopo da ciência também, quando esta não consegue identificar vários eventos dentro do próprio universo.

      Muitos ateus, como o ícone Bertrand Russel alegam que universo é eterno (mas o big-bang prova que não), então Deus também é!
      Me responda. Se Deus inexiste por que existe o mundo em vez do nada?

      Veja. Digamos que tudo que existe no Universo viesse a desaparecer o que sobraria?
      -Se nada, então o universo como um todo seria causado exigindo um Projetista-Originador-Causador, fora dele.
      -Mas se sobrasse algo; depois que todo o universo desaparecesse, então realmente haveria ALGO incausado, infinito, necessário, eterno. Sendo este Algo Inteligente e Fonte de origem de tudo em virtude da complexidade e harmonia do universo e vida aqui.

      "Ausência de evidências não é evidência de ausência" - Carl Sagan.

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    2. Mas, quem tem dúvida?
      Eu, não.
      Eu tenho certeza.

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  6. Parabéns. Existem pessoas que estudam filosofia durante uma vida toda e não consegue chegar às mesmas conclusões. Forte abraço!

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