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A Teoria da Evolução, um Mito? (A Aceitação do Design Inteligente e Criacionismo Entre Cientistas)


Seria a Teoria da Evolução (TE) pouco aceita no meio científico, sendo por conta disso um mito, como alegam alguns religiosos que apoiam o Design Inteligente (DI)? Qual a percentagem de cientistas evolucionistas, de criacionistas e de defensores do DI? A maioria dos cientistas que professam crença em Deus realmente apoiam o criacionismo e o DI? Com a finalidade de responder a estas e outras questões sobre o tema, apresentamos a seguir uma análise envolvendo pesquisas e declarações de 4 renomadas instituições americanas, 3 das quais de cunho religioso.

Pesquisa Pew Research Center

De acordo com uma publicação1 de 2009 do Pew Research Center, conceituada entidade de pesquisa americana de cunho religioso, 97% dos cientistas dos EUA aceitam que os humanos evoluíram biologicamente ao longo do tempo, 8% creem no DI e apenas 2% declararam aceitar o criacionismo.


É importante notar que o tema é da área biológica, mas observe que a pesquisa revela grande aceitação da TE entre cientistas de áreas diversas. Pesquisas não mencionadas aqui revelam que a rejeição ao criacionismo e DI entre cientistas biólogos é maior por dominarem o assunto. Outro fato interessante é que cientistas americanos são mais propensos ao criacionismo porque, desde a infância, são submetidos ao ensino religioso massificante dos ramos protestantes e evangélicos do cristianismo. O número de cientistas criacionistas ou defensores do DI nos países desenvolvidos da Europa e da Ásia é praticamente nulo por não serem submetidos à doutrinação religiosa rígida como na tradição americana.

Pesquisas Discovery Institute e National Center for Science Education

O Discovery Institute, outra instituição americana de cunho religioso, criadora e propagadora do DI, publicou em 2001 uma lista de cientistas do mundo todo que assinaram a declaração "Somos céticos quanto às alegações de que a mutação aleatória e a seleção natural são capazes de responder pela complexidade da vida. O exame cuidadoso da evidência a favor da teoria darwinista deveria ser encorajado."2. Desde então esta instituição vem publicando com frequência a lista atualizada. Até o momento da publicação desta postagem, a lista continha 1007 adesões.

Uma observação interessante é que as ferramentas da evolução não se restringem somente à mutação seguida da seleção natural, havendo também outros processos como a transferência lateral, a duplicação gênica, a deriva genética e o crossing over, este ultimo mais atuante que as mutações. Ou seja, se a declaração fosse levada ao pé da letra, talvez recebesse apoio até de Richard Dawkins. Se não fossem sutil e deliberadamente omitidas as demais variáveis do processo evolutivo na declaração, sua aceitação seria menor.

Em repúdio à esta tentativa desonesta de induzir a falsa ideia de que a comunidade científica americana e mundial aceita o criacionismo e que há uma crise de confiança no mundo científico acerca da TE, o National Center for Science Education, lançou na internet o irônico “Projeto Steve3, onde somente cientistas com o nome Steve declarariam seu apoio a TE. No momento da publicação desta postagem, a lista já ultrapassava 1360 indivíduos. Ou seja, uma lista de apoio a TE obtida de uma pesquisa limitada a 1% dos cientistas americanos, ultrapassa com folga a lista de cientistas opositores a nível mundial. Observe que hoje há mais de 3.8 milhões de cientistas atuando nos EUA (NSF, 1999) e mais de 8 milhões nos demais países desenvolvidos (UNESCO, 2011-2013) que, quando comparado com a pesquisa do Discovery Institute, revela um percentual de rejeição da TE praticamente nulo (0.0085%), ou seja, aceitação próxima do absoluto (99,9915%).

Relação entre Templeton Foundation e Discovery Institute

Uma ex-financiadora do Discovery Institute, a Templeton Foundation, renomada instituição de cunho religioso americana e principal patrocinadora de projetos que buscam reconciliar Ciência e Religião, afirmou que pediu aos defensores do DI que enviassem propostas para pesquisas que pudessem revisar a TE, mas nenhuma foi enviada. Charles L. Harper Jr., vice-presidente da fundação, disse: "Do ponto de vista do rigor e seriedade intelectual, o pessoal do design inteligente não se sai muito bem em nosso mundo da revisão científica"4. Em outra ocasião a Templeton Foundation declarou que não apoia mais o Discovery Institute por se opor à Ciência em assuntos muito bem estabelecidos.

A soma das publicações do Discovery Institute em 25 anos de "pesquisa" não ultrapassa uma semana de publicações que apoiam a TE em revistas confiáveis de ampla aceitação como a Nature. De fato o Discovery Institute já declarou abertamente que tem a missão de "ensinar a controvérsia" em meio ao público incauto, não de revisar teorias científicas como pregava da ocasião de sua fundação.

Reflexão

Note que a existência de alguns poucos criacionistas com títulos acadêmicos em ciências é completamente concebível, pois é relativamente fácil para uma pessoa fundamentalista passar em cursos de pós-graduação sem ter uma formação séria em evolução, ou fazendo um curso ao mesmo tempo em que nega a ciência apresentada nele.

Todas as teorias científicas, como a TE, estão abertas a falseamento, pois é desta forma que uma teoria perde credibilidade ou vai se tornando robusta e aceita, pela divulgação de seus pormenores a fim de ser sabatinada por todos os especialistas da área. Não há na atualidade nenhuma teoria tão bem aceita quanto a TE no meio científico, bastaria uma prova contrária para que ela fosse para o hall do esquecimento. No entanto, passados mais de 150 anos da publicação de "A Origem das Espécies", a TE tem ganhado força e explicado as muitas faces do mundo biológico com extrema precisão.

Cruzando as informações das entidades supramencionadas e levando em consideração que 40% de todos os cientistas dos países desenvolvidos creem em um deus pessoal, conclui-se que pelo menos 92.5% dos cientistas religiosos e deístas aceitam a TE como verdade, uma evidência de que a grande maioria dos membros da comunidade científica, em oposição aos crentes leigos, não permite que suas filiações ideológicas interfiram na aceitação da verdade revelada pela Ciência.

"Ele [o DI] pode funcionar como um daqueles sinais ambíguos do mundo que apontam para um criador inteligente e ajudar a apoiar a fé dos fiéis, mas simplesmente não tem o poder explicativo convincente ou um grande impacto acadêmico". Frank D. Macchia, professor de teologia cristã na Universidade Vanguard, em Costa Mesa, Califórnia., afiliado à Assembléia de Deus, maior denominação pentecostal dos EUA.4

Fontes:

3 comments:

  1. Excelente artigo Alexandre!

    Você aprofundou-se na discussão e foi além de um artigo que eu postei há algum tempo em meu blog. Penso que talvez seja seu objetivo dirimir esta questão e espero que, pelo menos neste seu espaço, coloquem uma pedra sobre este assunto.

    A sua citação, sobre o que disse Frank D. Macchia foi bastante oportuna. Há algum tempo atrás encontrei também um vídeo, em inglês, onde o Pat Robertson, um dos mais influentes pastores do EUA, detona a pasmaceira do Ken Ham (principal defensor do DI - Origins in Genesis) e diz, em tradução livre, que ele mata os cristãos de vegonha ao tentar ficar negando os fatos. É claro que ele coloca Deus na origem de tudo no final, mas deixa claro que confrontar fatos é tolice.

    Saudações!

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  2. Quanto mais sei, percebi que nada sabia e quantas vezes não mudei de conceito. Pence bem antes de postar algo, antes que não cometa o mesmo erro que cometi. "Só sei que nada sei" infelizmente. Abraço. Ótima Publicação!

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  3. This comment has been removed by the author.

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